A razão por meio da ciência

Fabiano Agrela Rodrigues

ASTRÓCITOS NÃO SÃO IGUAIS

Astrócitos não são iguais. Novos medicamentos podem ser desenvolvidos para agir em regiões específicas do cérebro através dos astrócitos.

O Baljit Khakh, professor e pesquisador sênior da universidade UCLA, e, seus colegas, fizeram avanços ao estudar os astrócitos, células da glia em formato de estrela. Células da glia são encontradas em todo o sistema nervoso, tendo como principal função a nutrição e proteção dos neurônios. Ou seja, são células que não emitem energia, eletricidade, não tem função corporal, de movimentos, funções específicas relacionadas ao corpo, mas que desempenho papel chave na existência dos neurônios; além disso, são células conhecidas por compor a barreira hematoencefálica (BHE).

Os pesquisadores descobriram que os astrócitos não são idênticos, não possuem o mesmo formato. Ao realizar o estudo em ratos, descobriu-se que a depender da área do cérebro, os astrócitos apresentam diferenças, como entre corpo estriado e hipocampo. Os genes envolvidos em cada área também apresentaram diferenças.

Com a descoberta, abriu-se a possibilidade de tratar doenças através de drogas que agem diretamente em cada estrutura de astrócito, ligadas a regiões cerebrais. Anteriormente, pensava-se que estas células eram iguais, impossibilitando a criação de drogas específicas, pois o medo era de que a mesma irradiasse os efeitos da droga por todo o cérebro, causando resultados adversos. Agora, é possível sugerir que podemos usar medicamentos para atingir astrócitos específicos de cada região e tratar doenças mentais correlacionadas.


INSETICIDAS NEONICOTINÓIDES CAUSAM COMPORTAMENTOS E DISFUNÇÕES SEMELHANTES AO TRANSTORNO DO ASPETO AUTISTA

O professor da universidade japonesa de Hokkaido, Prof. Dr. Toshiya Matsushima, descobriu que os inseticidas conhecidos como neonicotinóides, em especial o mais utilizado no mundo, o imidacloprido (IMI), causa comportamentos semelhantes ao transtorno do aspeto autista (TEA).

Para isso, utilizaram-se produtos que atuam nos receptores nicotínicos de acetilcolina (nAChRs), como no caso do IMI. Os testes foram realizados nas crias da espécie, Gallus gallus domesticus, popularmente conhecidos como pintinhos. A escolha se deve pelo fato de que os animais de laboratório, como os ratos, não apresentam este comportamento relacionado ao TEA naturalmente, ao contrário dos pintinhos. Os filhotes dessa espécie, neste caso, podem ser comparados aos neonatos humanos.

O objetivo do estudo foi testar a hipótese de que estes produtos causam estes comportamentos semelhantes ao TEA, pois os movimentos fetais podem ser determinantes para o desenvolvimento. Neste transtorno é observado haver um retardo, lentidão neurológica que afeta a preferência dos recém-nascidos por objetos animados, configuração facial e movimentos biológicos (BM), causando a formação do apego social. Os bebés ao nascerem têm isso fortemente enraizado, assim como os pintinhos.

Para provar que a hipótese é válida, os pesquisadores injetaram na superfície da casca do ovo as substâncias neonicotínoides, sempre ao ouvirem os movimentos do feto no ovo. Como esperado, as substâncias reduziram os movimentos biológicos, mas sem alterar a memória imprinting, relacionada ao comportamental aprendido naturalmente, como o reconhecer a mãe.

Foi testado a bumetanida, uma droga utilizada no tratamento de TEA, que curiosamente também é utilizada no controle da hipertensão e doenças renais. Ela foi injetada nos pintinhos, o que os fez retomar os movimentos biológicos. Contudo, a interrupção dos movimentos fetais não fora determinante para afetar BM, a causa confirmada é os produtos que agem no nAChRs.

Os efeitos em humanos podem ser semelhantes. Isso significa que bebés podem desenvolver o mesmo retardo em BM, se expostos a estes produtos durante a gravidez.

Com a semelhança fenótipa entre humanos e pintinhos, um conceito de genética que engloba um conjunto de características morfológicas e fisiológicas, os pintinhos são promissores para estudar o TEA em humanos. O uso destes agrotóxicos causa efeitos epigenéticos, que é quando o indivíduo, ao ser exposto a uma situação do ambiente, seja ele propriamente ou por antecessores, ativa genes correspondentes a transtornos, doenças ou características, que neste caso é semelhante ao TEA.

Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues,
Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International


Sinais ou sintomas de AVC. O que fazer?

Um acidente vascular cerebral ocorre quando o suprimento de sangue para parte do cérebro é interrompido ou reduzido, impedindo que o tecido cerebral receba oxigênio e nutrientes. As células cerebrais começam a morrer em minutos.

Saiba o que fazer para diminuir os riscos de sequelas ou morte de pessoas no momento dos sintomas.

No momento do AVC, a primeira coisa que se deve fazer não é ficar tentando identificar os sintomas. Se já apresenta possibilidades com sintomas típicos, como dormência, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou perda de visão, tontura e dor de cabeça, ligue imediatamente para a emergência e diga que há alguém tendo um AVC ou derrame.

Existe o AVC hemorrágico, causado por um vaso sanguíneo rompido levando a hemorragias cerebrais e o AVC isquêmico, causado por um coágulo que leva ao bloqueio de um vaso sanguíneo. 80% são isquémicos e 20% hemorrágico. Por isso, não dê medicamentos, entre eles, aspirina, pois se for hemorrágico causará mais sangramento já que ela é anticoagulante. Também não dê alimentos nem bebidas para que não engasgue e desenvolva infecções ou dificuldade em respirar.

Um medicamento trombolítiuco chamado tPA, ou ativador do plasminogênio tecidual, pode ser administrado a alguém se estiver tendo um derrame, potencialmente revertendo ou impedindo o desenvolvimento dos sintomas. Mas deve ser administrado dentro de 4,5 horas após o início dos sintomas.

Os sinais e sintomas incluem:

Dificuldade na fala e em seu entendimento.

Paralisia e dormência da face, braço ou perna de um lado do corpo.

Visão turva, duplicada ou enegrecida em um ou nos dois olhos.

Dor de cabeça súbita e intensa podendo ser acompanhada de vômito, tontura, alteração da consciência.

Dificuldade em andar e equilibrar-se com perda de coordenação.

O que a pessoa que está ao lado pode fazer:

Seja rápido em entrar em contato com a ajuda ou em ajudar;

Não deixe essa pessoa dormir;

Não dê medicamentos, alimentos ou bebidas;

Melhor que a ambulância vá buscar do que a pessoa levar ao hospital a depender de onde vive e as condições de ajuda rápida por ambulância;

Peça para pessoa sorrir e veja se um lado do rosto caiu.

Peça para levantar os dois braços e veja se um braço desliza para baixo ou é incapaz de levantar.

Peça para que repita palavras simples e perceba se a fala está arrastada ou estranha.

Fatores de risco do estilo de vida:

Obesidade;
Sedentarismo;
Excesso de bebidas alcóolicas;
Uso de drogas;

Fatores de risco médico:

Pressão alta;
Colesterol alto;
Tabagismo e também exposição ao fumo passivo;
Apneia obstrutiva do sono;
Diabetes;
Doença cardiovascular, incluindo insuficiência cardíaca, defeitos cardíacos, infecção cardíaca ou ritmo cardíaco irregular, como fibrilação atrial;
Infecção COVID-19;
História pessoal ou familiar de acidente vascular cerebral, ataque cardíaco ou ataque isquêmico transitório;

Fatores associados a um maior risco de AVC:

Pessoas com mais de 55 anos de idade;
Homens tem um maior risco de sofrer AVC que mulheres, e essas tendem a ser mais velhas;
Uso de pílulas anticoncepcionais ou terapias hormonais que incluem estrogênio aumenta o risco;

Entre os medicamentos preventivos estão os anticoagulantes e drogas antiplaquetárias.

Ao notar quaisquer sinais ou sintomas procure imediatamente o médico.

Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues,
Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International


Cultura primária de células neuronais e neurais

Quando falamos do sistema nervoso referimo-nos a um sistema complexo e a uma série de terminologia que por vezes pode ser empregue de forma errada. Os conceitos embora parecidos na sua escrita se referem a coisas totalmente diferentes e é necessário entendê-los.

O sistema nervoso possui diferentes tipos de células, nomeadamente neurónios, astrócitos e microglia. O conceito "neural" diz respeito a todos os tipos de células nervosas, incluíndo uma mistura de células cerebrais, ao passo que o termo "neuronal" é especificamente relativo aos neurónios. O nome "neural" é empregue no âmbito tanto de culturas primárias como de células estaminais neuronais. Por cultura primária entende-se a manutenção in vitro de neurónios vivos que foram extraídos de tecido do sistema nervoso animal (in vivo), como o cérebro ou a medula espinal.

As células retiradas do tecido são preservadas em laboratório, fornecendo nutrientes, vitaminas e o equilíbrio adequado de sal em meios líquidos de cultura de células neuronais e atmosfera apropriada (humidade, temperatura e CO2).

Como podemos entender, os neurónios podem ser “cultivados” ou, melhor dizendo, os neurónios conseguem ser conservados vivos in vitro, permitindo-lhes ligarem-se a um receptáculo de cultura celular e fornecendo um ambiente de apoio, incluindo meios de cultura celular ricos em nutrientes e suplementos.

Em condições in vitro adequadas, as células primárias colhidas de tecido nervoso embrionário ou pré-natal podem amadurecer ou desenvolver-se mais; por exemplo, os neurónios primários podem sofrer um crescimento neurite. Contudo, os neurónios primários em cultura não proliferam; ou seja, não aumentam em número através da divisão celular.

Podemos então dizer que as células não-proliferantes são as que não se encontram em mitose. No âmbito da cultura de tecidos, isto implica que as células em cultura não estão a dividir-se e a aumentar o seu número. Muitos tipos de células primárias são não-proliferativas (por exemplo, culturas neuronais) ou podem ser expandidas apenas para uma ou duas duplicações (por exemplo, culturas de astrocitos primários).

Para que tal se torne mais viável deve escolher-se o sistema de cultura de células correcto tendo em atenção os meios e os suplementos. As misturas devem ser ricas em nutrientes, sais e vitaminas.


Nadar pode ajudar o cérebro a manter-se jovem

Exercícios físicos são essenciais para a manutenção do cérebro, mas a natação destaca-se pelo seu poder de estimulação cerebral.

O cérebro é a máquina mais complexa que conhecemos, capaz de realizar tarefas que demandariam vários computadores de última geração, além de já ter incríveis habilidades ainda é capaz de adaptar-se e se regenerar. Ele pode ser facilmente estimulado através de hábitos simples, um dos mais importantes é, sem dúvida, o exercício físico.

Ele é essencial para manter um bom funcionamento do nosso cérebro e preservá-lo dos efeitos do tempo, em especial os exercícios aeróbicos como a natação, que ajudam a melhorar a oxigenação e estimula a liberação de endorfina - hormónio responsável pela nossa sensação de prazer - e serotonina - conhecida como o hormónio da felicidade, relacionado ao sono, memória e humor.

Além disso, esse tipo de exercício também é um importante aliado da neurogénese - processo cerebral que ajuda na reversão e reparação de danos neuronais - esse processo, também conhecido como neuroplasticidade, é essencial para manter o cérebro saudável e evitar doenças neurodegenerativas.

Os exercícios físicos, em especial os realizados na água como a natação, ajudam a aumentar a disponibilidade de BDNF (fatores neurotróficos), elementos que atuam no aumento do hipocampo e no desenvolvimento da memória e aprendizado, além de auxiliar na redução de depressão e ansiedade.

A natação é muito indicada para idosos por estimular a coordenação motora e ajudar no relaxamento, uma espécie de estado meditativo que é extremamente benéfico ao nosso cérebro.

Por isso, a prática da natação é importante para quem quer manter o cérebro saudável e ativo por mais tempo, e evitar doenças neurodegenerativas.


A barreira hemato-encefálica

Embora o estudo do nosso cérebro tenha tido grandes avanços nas últimas décadas ainda há muito que se desconhece. Cientistas por todo o mundo tentam diariamente descobrir os seus segredos não só para um melhor conhecimento, mas para achar tratamento para inúmeras doenças do foro mental.
Juntamente com os neurónios, o cérebro encerra outra classe de células chamada glia. Existem até 10 a 50 vezes mais células gliais do que os neurónios no sistema nervoso central. Este tipo de células atuam sempre que existe uma lesão, infeção ou doença. Ou seja, funcionam como um ponto-socorro do nosso organismo sempre que necessário, no entanto, os cientistas conhecem menos sobre as funções das células gliais do que sabem sobre as funções dos neurónios. As células gliais cumprem uma variedade de funções indispensáveis.

A barreira hemato-encefálica protege os neurónios e as células gliais do cérebro de substâncias que os possam afectar. As células endoteliais que formam os capilares e as vênulas tornam esta barreira, formando junções estanques e impermeáveis.
A maioria das drogas não entra no cérebro. Apenas as drogas solúveis em gordura podem penetrar na barreira hemato-encefálica. Estes incluem drogas de abuso bem como drogas que tratam doenças mentais e neurológicas.
A barreira hemato-encefálica é importante para manter o ambiente dos neurónios no cérebro, mas também apresenta desafios para os cientistas que estão a investigar novos tratamentos para as doenças cerebrais. Se um medicamento não conseguir entrar no cérebro, não pode ser eficaz. Os investigadores tentam contornar os problemas de diferentes maneiras tentando que as terapêuticas que apresentam sejam passíveis de passar esta barreira ou abri-la de alguma forma.


Os mecanismos cerebrais por detrás da persuasão

Quando pensamos um pouco sobre o tema conseguimos compreender que, ao longo da nossa vida quotidiana somos constantemente confrontados, em diferentes níveis de intensidade, com tentativas de persuasão. Este tema está diretamente relacionado com a neurociência pois, de certa forma, podemos estudar que processos neurobiológicos estão subjacentes.

O nosso comportamento enquanto seres humanos é afetado, de variadíssimas maneiras por diversas formas de persuasão pois esta é uma das formas fundamentais de influência social na tomada de decisões humanas. A persuasão tem relação com a integridade de diferentes conexões cerebrais, que tem como referência o córtex pré-frontal no controle emocional, criatividade, entre outras regiões participando os lobos temporal, parietal e occipital.

A nossa sociedade condiciona-nos no nosso dia-a-dia. Estamos na era do imediato, do fácil acesso, de informações que chegam a uma velocidade nunca vista. Hoje em dia cada um tenta vender uma imagem, uma teoria, um produto, uma verdade. Os chamados peritos, experts, influencers, coachs nada mais são que peritos em persuasão.

Vários estudos já mostraram que associar um produto ou uma ideia a uma celebridade ou a uma influencer altera a forma como o percepcionamos e ajuda a que esse permaneça na memória. Este tipo de ação resulta numa modulação a longo prazo da memória, induz à actividade lateral esquerda do cérebro devido à maior elaboração de pares celebridade-objecto, ou seja, a recuperação e processamento de informação semântica (social) relacionada com a celebridade e o objecto.

Há um lado emocional que fica ativado quando usadas estas estratégias que resulta numa recuperação das atitudes iniciais dentro da amígdala e do córtex insular. Face ao que tem sido revelado nos últimos estudos sobre o tema, não tenho qualquer dúvida que pessoas com grande poder persuasivo modulam a actividade num conjunto de regiões cerebrais envolvidas na aprendizagem de comportamentos de confiança e na codificação de regiões cerebrais envolvidas na aprendizagem de comportamentos de confiança e na codificação de memória declarativa que provavelmente permite uma persuasão eficaz.


Regiões da vida: Núcleos da base e sistema límbico

Quando pensamos no que somos, em qual a nossa essência, a resposta pode variar de acordo com as nossas vivencias, experiências, cultura, conhecimento, entre uma infinidade de outras coisas. Mas afinal o que nos faz e torna humanos? Num artigo científico recentemente aprovado e publicado na revista científica Ciencia Latina, o qual denominei de “Regiões da vida: Núcleos da base e sistema límbico", tentei responder a essas questões que tocam a cada um de nós.

Dessa forma, tentei demonstrar que o ser humano é o que os neurônios sensitivos tomam de conhecimento para que seja armazenado em engramas de memórias. É esse processo que faz o ser humano ser quem é. Desde a gestação, o código genético humano já pré-determina a personalidade que será moldada pela experiência dos sentidos e armazenada em forma de memória, ou seja, o ser humano é suas memórias.

Devido a essa compreensão óbvia, o objetivo desse meu estudo foi pontuar todas as regiões cerebrais relacionadas com a memória, com tudo o que o indivíduo faz que determina o engrama necessário para formar quem ele é: as regiões do cérebro relacionadas ao que o formata como ser humano.

Ao longo do artigo tratei de forma sucinta o cérebro em especial o córtex pré-frontal, os neurotransmissores, os núcleos de base e o sistema límbico envolvidos na formação de memórias. Ou seja, o sistema límbico associado às demais áreas do cérebro atua efetivamente na memória, nas emoções associadas ao hipotálamo e na área pré-frontal. Sendo assim, pode se dizer que o cérebro recebe informações e as organiza para distribuir suas funções no corpo humano, atuando no arquivamento das memórias, sensações de prazer, sentimentos, aprendizagens.

Estudo publicado na Revista Ciência Latina


O sequestro da amígdala:
Como se pode formatar uma sociedade inconsciente

A terminologia "sequestro da amígdala" pretende identificar que temos uma estrutura antiga no nosso cérebro, a amígdala, sendo que esta é projetada para responder rapidamente a uma ameaça.

Mesmo que o objetivo primário seja proteger-nos do perigo e das ameaças, ela pode intrometer-se nas nossas ações no mundo moderno, onde as ameaças geralmente são mais subtis por natureza.

Quando vê, ouve, toca ou saboreia algo, essa informação sensorial vai primeiramente para o tálamo, que atua como estação de retransmissão do cérebro. Seguidamente, este retransmite essa informação para o neocórtex (o “cérebro pensante”). Já no neocórtex as informações são enviadas para a amígdala (o “cérebro emocional”) que produz a resposta emocional que considera apropriada.

Contudo, quando enfrentámos uma situação que é interpretada como uma ameaça, o tálamo envia informações sensoriais tanto para a amígdala quanto para o neocórtex. Se a amígdala sentir o perigo, esta toma uma decisão muito rapidamente, em frações de segundo, para iniciar a resposta de luta ou fuga antes que o neocórtex tenha tempo de anulá-la.

Esta catadupa de eventos acaba por desencadear a libertação de hormónios relacionados com o stress, incluindo os hormónios epinefrina (também conhecido como adrenalina) e cortisol.

Esses hormónios dispõem o corpo para reagir ou fugir, aumentando a frequência cardíaca, elevando a pressão arterial e ampliando os níveis de energia, entre outras coisas.

Embora muitas das ameaças que enfrentamos hoje sejam simbólicas, evolutivamente, os nossos cérebros progrediram para lidar com ameaças físicas que colocavam em causa a nossa sobrevivência que impunham uma resposta rápida. Como resultado, o nosso corpo ainda responde com mudanças biológicas que nos preparam para lutar ou fugir, mesmo que não haja uma ameaça física real que tenhamos de enfrentar.


Estudo com ratinhos comprova que sentimento de solidão está ligado à hormona amilina

Os resultados do estudo determinam que a amilina é o protagonista no cérebro, necessário para detectar e buscar contactos sociais.

Buscando entender a base neural da solidão, que já era percebida antes do confinamento durante a pandemia de Covid-19 por causa da cultura tecnológica e das redes sociais, uma pesquisa liderada por Kansai Fukumitsu da RIKEN Center for Brain Science (CBS) no Japão, encontrou um indicador molecular e regulador do isolamento social em ratinhos de laboratório fêmeas.

Tendo em vista que a solidão é um problema que precisa de atenção, é necessário entender melhor o estudo e de que forma ele poderia interferir nos humanos, após encontrarmos similaridades na memória primitiva, burla de código genético e processo evolutivo. Está determinado em nosso código genético a necessidade de interação e quando burlamos esta determinação, sofremos consequências que podem elevar a ansiedade e trazer danos para a saúde mental.

O novo estudo relata que o comportamento de busca de contato social em ratinhos de laboratório é impulsionado pelo peptídeo amilina, um hormônio amiloidogênico sintetizado e co-secretado com insulina pelas células β pancreáticas, na área pré-óptica medial (MPOA) do prosencéfalo, e que estar sozinho diminui a quantidade de amilina nessa região do cérebro.

A sinalização do receptor de amilina-calcitonina (Calcr) na área pré-óptica medial (MPOA) medeia contactos sociais afiliativos entre ratinhos de laboratório fêmeas adultas. Após o isolamento, a primeira reação foi a busca pelos contactos, depois comportamentos depressivos, ansiedade, em paralelo a perda da expressão do mRNA da amilina no MPOA. Isso quer dizer que a socialização física ativa os neurônios que expressam amilina e Calcr e leva a uma recuperação da expressão do mRNA da amilina.

Cientistas desde Darwin já vinculavam essa afiliação social como evolutivo do cuidado parental. Os resultados do estudo determinam que a amilina é o protagonista no cérebro necessário para detectar e buscar contatos sociais.

Os pesquisadores descobriram que seis dias de isolamento levaram ao desaparecimento quase completo da amilina, que voltou ao normal duas semanas depois que os ratinhos de laboratório se reuniram com seus companheiros de gaiola. Isso leva-nos a pensar sobre como o confinamento, assim como a falta de interação, pode prejudicar a homeostase e a outros problemas que afetam a saúde mental.


Microinfartos cerebrais corticais
estão relacionados à atrofia cortical perilesional

Indivíduos com microinfartos cerebrais corticais (CMIs) apresentam atrofia cortical perilesional em uma grande área e isso pode comprometer a cognição que está relacionada ao CMI. Mesmo que estes já tenham sido relacionados ao declínio cognitivo em indivíduos com doenças como a demência, os mecanismos sobre essa relação ainda não são compreendidos de maneira adequada.

Estudos já fornecem evidências que danos perilesionais contribuem de maneira significativa para a atrofia cortical global em pacientes com CMI. Isso pode auxiliar na percepção dos impactos do CMIs na estrutura do cérebro e no desempenho de funções de modo geral.

Os CMIs podem funcionar como marcadores de doenças cerebrovasculares. Por isso é tão importante estudar profundamente a relação entre o CMIs e essas doenças, pois quanto mais compreensão obtivermos sobre o tema, melhor poderemos debater possíveis soluções e tratamentos para as pessoas afetadas.

Os estudos comprovaram que os CMIs afetam a estrutura cerebral além da área lesionada. A presença de CMI também foi associada à redução do comprometimento cognitivo e a espessura cortical global teve um efeito significativo na relação entre a presença de CMI e MMSE.

Ou seja, apesar de saberem da relação entre a presença de CMI e o declínio cognitivo, somente agora a ciência começa a explorar tais fatos de maneira aprofundada. Mais uma vez, podemos perceber o quanto é fantástico o que descobrimos quando começamos a estudar o cérebro profundamente. É um local no qual as descobertas nunca cessam, por isso, acredito que mudanças transformadoras estão por vir.


Neurociência no tratamento dos transtornos depressivos

A neurociência é a parte da ciência que estuda o sistema nervoso, principalmente o cérebro. Entender o sistema nervoso humano e suas limitações, é uma chave crucial para melhor tratar transtornos como a depressão. O cérebro doente desenvolve um corpo doente e um corpo doente desenvolve um cérebro fraco em todos os aspectos.

Um bom funcionamento do sistema nervoso se pauta em uma boa conexão entre neurônios, dendritos, corpo celular, axônios e fenda sináptica. Quando a conexão do SNC falha, promovem-se alterações demonstradas pela ausência, redução ou excesso de neurotransmissão ou tempestades elétricas. Estudos apontam que 1 a cada 5 pessoas podem apresentar doença mental durante a vida e aproximadamente 4% da população sofre de transtorno mental crônico grave.

Atualmente, a depressão tem sido considerada o grande mal que afeta a sociedade civil. A Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que, no mundo todo, cerca de 350 milhões de pessoas convivem com a depressão, classificando o quadro, inclusive, entre as doenças degenerativas que desenvolvem mortes prematuras. A depressão não é um problema nos neurotransmissores e sim um problema anatômico do cérebro, que prejudica o funcionamento dos neurotransmissores. O cérebro é plástico, logo, traumas ou impactos constantes no humor podem moldá-lo de maneira prejudicial.

A depressão é caracterizada por uma aflição orgânica, psicológica, ambiental e espiritual. É uma espécie de angústia que impacta diretamente no humor e é seguida por perda de interesse, de prazer e alegria na vida. Com a angústia e a aflição, a pessoa desenvolve dores físicas e psicológicas, gerando um ciclo de sofrimento tão intenso que parece não ter fim.

Além disso, os pacientes têm que enfrentar preconceitos que podem agravar o quadro sendo, muitas vezes, visto como um preguiçoso ou acomodado pelas pessoas que estão próximas a eles. Ou seja, ao invés de receber socorro, recebem mais uma dificuldade para driblar. É importante ressaltar que, sem o devido tratamento e atenção médica de qualidade, os pacientes apresentam recaídas e um ciclo de euforia e retorno do quadro depressivo até pior do que o anterior.

Por isso, compreender os aspectos neurobiológicos dos transtornos mentais são importantes para a aproximação da neurociência e da psiquiatria. Ainda é necessário avançar em tratamentos melhores, mais rápidos e eficientes. Estudos de terapia como a EDMR, que estimula o cérebro a processar memórias perturbadoras, estão ganhando espaço no tratamento para alívio dos sintomas. Vários aspectos estão sendo compreendidos pelos clínicos e cientistas, permitindo uma melhor compreensão do estado crítico nos transtornos de humor e abrindo caminhos para a busca de técnicas mais eficazes de diagnóstico, tratamento, prevenção suicídio e eventuais sequelas cognitivas.

Link do estudo: https://doi.org/10.37811/cl_rcm.v5i6.1149


Estudo revela a importância de gene na incidência do Parkinson

A doença de Parkinson, caracterizada por tremores, instabilidade muscular, rigidez, contrações e outros, é um problema global que afeta todas as etnias e, uma vez instalada, representa inúmeros prejuízos para os pacientes e para a economia e saúde mundiais de forma geral. O estudo de associação genômica ampla (GWAS), revelou que a incidência da doença está crescendo no mundo todo, porém, nos Estados Unidos, por exemplo, foi percebido um maior número de casos de Parkinson relacionados a pessoas latinas e hispânicas.

O estudo abrangeu materiais recolhidos do Uruguai, Peru, Chile, Brasil e Colômbia e os resultados apontaram que pessoas hispânicas e latinas têm uma tendência de terem uma mistura padrão de três vias: africana, europeia e ancestrais nativos americanos. Além disso, foi percebida uma maior estimativa de hereditariedade do que nos europeus.

Estima-se que para uma pessoa desenvolver a doença de Parkinson, 50% dos fatores são relacionados ao ambiente e a qualidade de vida como alimentação, poluição e estresse e os outros 50% são relacionados à genética. Dentro do nosso DNA existem pequenas diferenças, chamadas de polimorfismos e estas podem aumentar ou reduzir riscos de algumas enfermidades.

A pesquisa foi feita para explorar a genética da doença de Parkinson na América Latina, o que representa um importante passo por considerar as individualidades de pessoas miscigenadas, o que pode levar a revelar dados que se apliquem diretamente às nossas particularidades.

De acordo com os resultados obtidos, o gene SNCA, que abriga a proteína alfa-sinucleína, tem áreas associadas ao surgimento da doença. Além disso, outros dois genes foram apontados como relacionados à doença de Parkinson, porém na análise específica para indivíduos com ancestralidade ameríndia e africana. Essas descobertas demonstram a importância de incluir outras etnias nos estudos da doença de Parkinson. Pois, talvez assim, possa-se caminhar em direção a descoberta de uma cura.


Perda progressiva de memória em pacientes recuperados da Covid-19

Mesmo anulando a hipótese da Sars-CoV-2 / Covid-19, já estávamos a sofrer devido às dificuldades na memorização. A cultura de um povo, vinculada à ansiedade e como esta é conduzida, assim como fatores genéticos, são precursores para as consequencias/sintomas que podemos observar em pacientes recuperados da Covid-19, entre eles, dificuldade de concentração, raciocínio e memória. Neste artigo, de forma resumida, escrevo sobre a relação do novo coronavírus, Covid-19, com o sistema nervoso central, que pode resultar em sequelas permanentes ou progressivas no foco atencional, compreensão, memória e como tentar reverter este quadro mediante a neuroplasticidade cerebral. Efeitos da infecção também têm relação com uma maior propensão a episódios de trombose, AVC, insuficiência renal e cardíaca, fibrose pulmonar, entre outros fatores, mas o foco será na minha área, neurociência e mais especificamente na memória.

O Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), no Brasil, mostrou que 80% das pessoas recuperadas da Covid-19 apresentaram perda de memória. Solicitei aos psicólogos membros do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), um relatório dos recuperados e também relataram um alto índice desses sintomas como; dificuldade de concentração, problemas de compreensão, sonolência, falta de equilíbrio, problemas no raciocínio e na memória. Os dados do Brasil não necessariamente refletem os mesmos números percentuais de outros países uma vez que outros fatores interferem, entre eles, o facto do brasileiro ser considerado o povo mais ansioso do mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Um estudo no centro médico académico Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, publicado na revista médica “Alzheimer`s Research & Therapy” aponta que a Covid-19 é capaz de provocar neuroinflamações semelhantes às causadas pela doença de Alzheimer, comprovando que o vírus pode ter impacto em vários genes ou vias envolvidas na neuroinflamação e lesão microvascular cerebral. Este estudo confirma que proteínas presentes no Sars-CoV-2 / Covid-19 permitem que o vírus ultrapasse a barreira hematoencefálica, que é uma estrutura de permeabilidade altamente seletiva que protege e bloqueia a entrada de substâncias neurotóxicas no sangue para o cérebro.

Uma análise de dados publicado na revista científica “The Lancet Psychiatry” com dados de 236.379 pacientes, revelou que um a cada três infectados pelo Covid-19 foram diagnosticados com efeitos neurológicos seis meses após a infecção. Outros estudos apontam casos de sequelas neurológicas em pessoas com outras doenças como Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars-CoV-1), Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) com comprometimento continuo de memória e défices cognitivos. Há então relação das doenças respiratórias mais graves com o foco atencional para um processo de memorização. A névoa no cérebro, impedindo a capacidade de pensar com clareza, foram os relatos de diversos pacientes.

A atenção, a depender do tipo, envolve regiões no cérebro como a formação reticular e suas ligações como as áreas frontais, estruturas límbicas, tálamo e os gânglios basais, quando é um sistema ativador reticular ascendente ou rede de alerta. Áreas relacionadas com o córtex parental posterior, núcleo pulvinar lateral do tálamo e o colículo superior no sistema atencional posterior ou rede de orientação. Área relacionada com o córtex pré-frontal dorsolateral, córtex orbito-frontal, córtex cingulado anterior, área motora suplementária e o núcleo caudado no sistema atencional anterior ou rede de execução, ou seja, o foco atencional tem relação com o sistema límbico, núcleos da base no cérebro e os córtices. Analisando o cérebro de pessoas com o transtorno mais conhecido da atenção que é o Transtorno por Défice de Atenção com Hiperatividade (TDAH), onde a pessoa tem dificuldade para enfocar, controlar a atenção e na conduta, descobriu-se diferenças anatómicas no núcleo accumbens, no núcleo caudado, no putâmen, na amígdala, hipocampo, tálamo e nas áreas pré-frontais.

As células neuronais precisam de um fluxo ininterrupto de oxigénio para seu correto funcionamento, foi relatado uma queda do nível de oxigénio sanguíneo em alguns pacientes com SARS-CoV-2 que pode ser denominada como hipóxia silenciosa, que tem como sintomas falta de ar, fadiga, desorientação, confusão, perda de memória, problemas cognitivos, entre outros. Os astrócitos podem modular a respiração liberando ATP que age em um receptor específico no neurónio controlando a respiração. Essa relação dos astrócitos, “ajudantes” dos neurónios e o sistema respiratório, justificam os danos cerebrais consequente a doenças respiratórias graves.

Os astrócitos são células gliais que servem como suporte protegendo, sustentando e nutrindo os neurónios através da corrente sanguínea. O SARS-CoV-2 o usa como veículo para infectar o cérebro, mesmo esta glia tendo a função de manter as partículas nocivas à distância. Os astrócitos são infetados pelo vírus porque expressam a proteína ACE2 a que o vírus se "agarra". As mitocôndrias dos astrócitos, responsáveis pela produção de energia, se alteram devido a diminuição dos níveis de piruvato, como consequência do lactato pelo maior consumo de glicose da célula infectada, influenciando neurotransmissores como glutamato, relacionado com a memória e o aprendizado e o GABA, inibidor de disparo excessivo que promove a sensação de calma e relaxamento.

A perda de memória é relatada em muitos casos e em alguns pode ser irreversível como qualquer modificação no organismo, mas o cérebro é plástico, podendo recuperar o funcionamento mediante práticas que favoreçam a neuroplasticidade. Exercícios para melhorar a função cognitiva podem ajudar a combater o problema, a depender do caso, pode ser necessário o uso de medicamentos e/ou suplementação. O treinamento cerebral envolve aprender coisas novas, saindo da zona de conforto com mudança de hábitos, exercícios, dieta direcionada à memória, exercícios de lógica e jogos de memória.


Estamos vivendo um coletivo de transtorno de personalidades dramáticas

Fatores sociais, hábitos do cotidiano, uso exacerbado de aparelhos tecnológicos, estresse, conflitos pessoais, além, é claro, de fatores genéticos, podem alterar o funcionamento do cérebro. Apesar de estar sempre em mudança e em busca de adaptações, os transtornos de personalidade que afetam diretamente esse órgão, como o narcisista e o histriônico, eram vistos pela ciência apenas como patológicos inatos, ou seja, nasciam com a pessoa. Porém, um estudo recente questionou a tese e comprovou que, assim como outros transtornos de personalidade, tais distúrbios podem ser decorrentes de fatores adquiridos, inclusive na fase adulta e relacionado com esses hábitos.

Vale ressaltar que o transtorno de personalidade pode ser natural ou patológico, levando a outras vertentes que prejudicam a saúde mental, bem como a expressão comportamental em sociedade. O estudo "Neuropersonalidade e neuroterapia" mapeou esses comportamentos e os neurotransmissores relacionados a cada um deles, criando assim, um tipo de terapia personalizada e baseada no perfil bioquímico do paciente.

Os neurotransmissores são mensageiros químicos que podem transmitir, estimular e equilibrar os sinais entre os neurônios ou outras células do corpo e esses bilhões de mensageiros químicos podem afetar uma variedade de funções físicas e psicológicas como frequência cardíaca, apetite, sono, medo, emoções respiração, aprendizagem, concentração entre outras diversas funções.

A partir de conhecimentos prévios e de relatos de pacientes, foi criada a chamada neuroterapia, um tratamento personalizado com o determinante bioquímico, ou seja, os neurotransmissores específicos a cada personalidade. Todos os neurotransmissores estão envolvidos em processos que resultam na personalidade. A rede neural é conectada e o mau funcionamento de um neurotransmissor pode acarretar mau funcionamento de outros. Ou seja, foi comprovado o que já havia sido previamente revelado pela neuroplasticidade, onde novas conexões são formadas, formatando assim uma personalidade relacionada às disfunções no sistema límbico do cérebro acarretando em transtorno de personalidades dramáticas, como Borderline, Histriônica, Narcisista, entre outros.

Há, atualmente, um coletivo de transtornos de personalidades dramáticas que tem como alguns sintomas: se fazer de vítima, pensar ter razão o tempo todo, não buscar conhecimento pleno, manipulação, incoerência, memória prejudicada, dificuldade no foco atencional, oscilações de humor, selecionar culpados sem analisar a si mesmo, falta de empatia, tentar chamar a atenção, provocadores, sensação de merecimento, inveja, arrogância, entre outros.

A teoria da neuroterapia foi criada com o determinante bioquímico, ou seja, com foco nos neurotransmissores específicos à personalidade, já que está relacionada aos agentes bioquímicos que conduzem todo o funcionamento para todos os processos relacionados ao comportamento.

A neuropersonalidade é uma neuroanatomia da construção da subjetividade, como identidade; e a neuroterapia um processo terapêutico que visa uma melhor eficácia trabalhando diretamente na razão, no foco ou nas nascentes originárias que resultam em síndromes, transtornos ou doenças. Porém, há obstáculos para o tratamento de transtornos com vínculo narcisista pela falta de consciência do paciente. Assim como a permanência da razão abstrata, a construção de uma realidade paralela e ficcional por parte de pacientes acometidos por Transtornos de Personalidade.

Deste modo, o tratamento direcionado aos traços característicos destas personalidades e aos neurotransmissores específicos pode, junto a assertividade dos processos terapêuticos, trazer uma eficácia em um período menor, simplificando o tratamento. Principalmente quando levamos em conta o fator ansiedade, que contribui para a falta de colaboração do paciente, como também pelo fato de pessoas com transtornos necessitarem de uma visão clara do resultado para não haver uma desistência do tratamento. O tipo de manejo com protocolo determinado para cada tipo de transtorno garante o engajamento do paciente, assegurando com isso o sucesso do método Neuroterapia.

Saiba mais aqui:
https://www.ijmcer.com/wp-content/uploads/2021/09/IJMCER_BB0340271279.pdf 


O estilo musical de pessoas inteligentes

“Sem música a vida seria um erro”, já disse o filósofo primaz Nietzsche, em 1889. A manifestação sonora, porém, muito antes da constatação do pensador, já era capaz de unir povos, demarcar crenças e costumes e estabelecer identidades culturais. Segundo relatos, seu surgimento pode ser datado ainda na pré-história, até mesmo antes da formação da linguagem e do aparecimento da agricultura. Hoje, todavia, apreciada pela maioria da população, a música também é instrumento de avaliação sobre a personalidade de um indivíduo, como, por exemplo, ser possível, por meio dela, categorizar qual estilo é mais apreciado por pessoas com QI elevado.

Levando em consideração que somos mais inteligentes que os demais animais devido ao desenvolvimento do lobo frontal, onde há no córtex pré-frontal humano a chamada sinaptogênese, intensa comunicação entre neurônios num processo de formação, fortalecimento e eliminação de conexões sinápticas que estão relacionadas com a habilidade de raciocinar sendo esta região responsável pelo comportamento social e raciocínio lógico, logo, não há outra maneira de definir o estilo musical de pessoas inteligentes que não seja entrevistando pessoas cujo alto QI foi comprovado em testes válidos.

No estudo “O estilo musical de pessoas inteligentes”, o objetivo era compreender a preferência musical de pessoas com QI acima do percentil 98 (que equivale a acima de 130 pontos pelo teste WAIS), em diferentes ocasiões e a razão pela predição do estilo.

A pesquisa foi realizada com um grupo de 50 pessoas dentro da categoria estabelecida que responderam à pergunta: Qual seu estilo musical preferido? Lembrando que, como conceito de inteligência gera sempre muita discussão, já que muitos falam dos diferentes "tipos de inteligência", também por isso criei a definição de inteligência DWRI (veja mais em Tecmundo). Já que sim, existem tipos de inteligência, mas existe uma inteligência lógica que orquestra todas as demais e esta só pode ser medida através de teste de QI, utilizados em todos os países do mundo.

Para analisar as respostas, foi preciso compreender qual a influência da música no cérebro, já que é sabido que processamento musical é envolvido por percepção musical, reconhecimento e emoção, e que o córtex cerebral auditivo primário e o giro temporal superior são responsáveis por trazer a percepção musical.

O córtex primário é sensível à percepção do tom, a associação auditiva está relacionada ao processo de melodia e não lineares como harmonia e que o ritmo está relacionado ao cerebelo, gânglios basais e lobos temporais superiores.

Em relação ao reconhecimento memorial musical e a emoções ligadas à música estão envolvidas as partes do cérebro como: órbito-frontal e o sistema límbico. Sendo assim, partimos do pressuposto de que a música consegue ativar diversas áreas cerebrais.

O estudo foi realizado através de entrevistas qualitativas com amostra de conveniência. Concluiu-se que o estilo rock, seguido pelo heavy metal são os preferidos das pessoas mais inteligentes, e que a música instrumental clássica é a mais utilizada em momentos de estudo e concentração destes.

Por fim, após a entrevista e a conclusão, sugere-se a realização de estudos com população amostral maior e um grupo controle, para a retirada de vieses de pesquisa, no entanto, pode-se concluir que pessoas inteligentes preferem estilos musicais mais elaborados e fundamentados na teoria musical e que gêneros mais “populares” não são apreciados por estas pessoas.

Saiba mais aqui:
https://cpahjournal.com.br/index.php/cpahofhealth/article/view/33/79 

Fabiano de Abreu Rodrigues é doutor e mestre em Ciências da Saúde nas áreas de Neurociências e Psicologia. (ver CV)