Carlos Afonso

Não há Pachorra

Carlos Afonso

GOD SAVE THE QUEEN

Confesso que já nem ligo aos comentários do Pedro Simas sobre a Covid, nem às reuniões do Infarmed, nem às polémicas sobre a EDP ou a TAP. Entusiasmo-me com a bronca armada pela Megan, depois da entrevista dada num programa americano de televisão, tipo o do Goucha. Dá-me pena ver a pobre da rainha, toda arreliada. Não lhe bastavam os joanetes... Até a senhora que lhe vai arranjar os pés todas as quartas-feiras confidenciou ao The Sun (o CM de lá) que "Fortunately, the scandal caught the Queen barefoot" (trad. "Vá lá que o escândalo apanhou Rainha descalça". Mesmo assim custou-lhe imenso, adiantou Mrs Nail Cutter.

Para já custou-lhe uma data de jóias que tinha emprestado à Megan, entre elas uma dúzia de chapéus que usou em Ascott, no intervalo das duas Grandes Guerras. E agora, coitada, queixa-se que é uma chatice, porque aquilo a bem dizer não era dela, pertence à Coroa e agora é uma carga de trabalhos para dar baixa no inventário. A Megan, por sua vez, queixa-se que iam dando com ela em maluca, porque esteve fechada no Palácio, de onde só saiu duas vezes em 4 meses e mesmo assim de corrida, pois esconderam-lhe as chaves, o passaporte e a carta de condução. Eu cá não acredito. Para que é que ela precisava de ter as chaves do Palácio se há lá empregados só para puxar os ferrolhos e abrir aquelas grandes portas? Nunca se viu a rainha a jogar a mão à mala e andar à procura dum molho de chaves! Já a carta de condução, acredito que a tenham escondido. Então a menina queria pegar no carrinho e lá vai ela? Não sabe que ali se conduz do lado esquerdo e que é perigoso para quem não está habituado? Já a outra foi de Inglaterra para a França, onde se conduzia pela direita, e foi a tragédia que foi.

Também disse que o sogro e o cunhado são racistas e que a cunhada a fez chorar no casamento por causa de um problema com os vestidos das floristas. Isso já não sei. Sei é que caiu mal no sogro, aquele senhor parecido ao presidente do Benfica (o Orelhas) quando está de costas, casado com a única mulher da Commonwealth que fica melhor quando usa máscara. O Carlos, dizia eu, por causa disto tudo já foi falar com uns advogados e cortou a mesada ao filho. Eles que se governem com a herança da coitadinha da mãe que lhes deixou qualquer coisinha, como umas dezenas de milhões de dólares, disse. E eu digo, a Megan que devolva é as jóias e fique com os chapéus (também já devem estar encardidos dos anos que têm e com tempo que faz em Inglaterra). Ou que ponha tudo a leilão para fins de solidariedade. Safadinha como parece ser, já estou a vê-la a anunciar, como fez o Presidente duma Sociedade Recreativa duma aldeia do Alentejo, quando leiloava uma jarra oferecida pela filha do senhor Presidente da Junta:
"Tenho aqui esta pulseira de ouro branco e diamantes. Foi oferecida pela minha sogra, a Rainha de Inglaterra! Quanto vale a puta?"


OS FURAS

Quando se iniciaram os planos nacionais de vacinação, perante os atrasos verificados no fornecimento de vacinas, na generalidade dos países assistiu-se ao oportunismo de alguns chico-espertos que, numa atitude "salve-se quem puder", ignoraram os direitos dos grupos prioritários para conseguirem uma vacina para si.

A nível de países, também a lentidão na estratégia de vacinação europeia, aprovada pelos países da União, já conheceu os primeiros "furas". A Hungria (quem mais podia ser?) foi quem provocou o primeiro rombo no plano de Bruxelas, ao decidir telefonar ao Presidente chinês para adquirir vacinas daquele país. Pouco tempo depois Dinamarca, Áustria, Polónia, República Checa e Eslováquia seguiram o senhor Orbán e procuraram vacinas fora do quadro da União. A Eslováquia então, num dia o seu Presidente afirmava que, para um país pequeno e com poucos recursos como o seu, era fundamental aderir aos planos da União Europeia, e poucos dias depois fazia uma encomenda de vacinas Sputnik. A Hungria até se deu ao luxo de dispensar vacinas a que tinha direito, adquiridas através de Bruxelas.

De repente, desvaneceu o entusiasmo gerado pela decisão comunitária de aquisição de vacinas para todos os europeus e a sua distribuição equitativa, eliminando a evidente vantagem que as maiores potências europeias teriam se cada país negociasse a compra de vacinas isoladamente. E aquilo que parecia ser um primeiro momento de verdadeira solidariedade Europeia deu lugar a manifestações de egoísmo nacional.

Quando começarem as negociações para a distribuição dos dinheiros da "bazuca" iremos ver como se comportam os "furas"...

Provavelmente, ao contrário do que fizeram em relação às vacinas, vão seguir o lema do Sporting "Onde vai um, vão todos" 

Illustration: Chen Xia/Global Times


PALAVRAS DOCES: O AMOR EM TEMPO DE COVID

Face às barreiras levantadas às manifestações libidinosas impostas pelo distanciamento físico, o Courier International desta semana aborda como tema central o tema do amor durante a pandemia, através de boas histórias publicadas na imprensa estrangeira.
Paralelamente às histórias, e como distanciamento físico não significa afastamento social, a revista publica algumas curiosidades sobre declarações de amor, em diversas latitudes.
Embora ainda faltem dois meses para dia de S. Valentim, ficam aqui algumas ideias para mensagens de amor encriptadas, muito úteis para relações clandestinas.

Mnham, mnham...
E se de repente lhe oferecessem um pratinho de iscas (com ou sem elas) em vez de flores e xi-corações?
O coração está associado invariavelmente ao amor. Mas o amor no Irão está alojado... no fígado! Em farsi, língua maioritariamente falada no Irão, chama-se à cara-metade "jeegaram" (meu fígado). E para declarar o amor a alguém diz-se "jeegaret bokhoran", que se traduz literalmente por "Eu como-te o fígado"!!!!

Há horas felizes
"520 1314"! Se receberem uma mensagem com estes números, não se trata de um contacto telefónico nem um palpite para a lotaria. Mas para algumas pessoas pode ser a sorte grande, pois quer dizer "Amo-te para sempre"... na China. Isto porque aquele número, quando se pronuncia, tem a sonoridade muito parecida à daquela frase. Se por acaso a resposta for um "513", desiluda-se. Pelos mesmos registos sonoros, é muito semelhante à frase "Quero acabar a relação".

O respeitinho é sempre muito bonito!
Num casal de japoneses, a mulher dirige-se ao marido com "anata", o pronome pessoal "vós", e o marido responde com kimi" (tu). Mas, segundo o contexto e entoação, estes pronomes pessoais são mais igualitários e podem também significar "querido(a)"!
Ainda no Oriente, os coreanos utilizam "tchaginya" como expressão amorosa, que se traduz por pelos reforçados " meu meu" ou "minha minha".

"Amor é fogo que arde..."
Na Austrália, há um povo aborígene que inventou um termo para quando um casal se aquece de mão dadas e dedos entrelaçados, perto do fogo. A palavra é "putuwa".

"Tás surda ou quê?"
Infelizmente, como "não há bem que nunca se acabe...", no sentido inverso, isto é no do desamor, a palavra "talâq" (em árabe significa repúdio"), se repetida 3 vezes, oficializa o divórcio entre os muçulmanos, sem necessidade de muita papelada! 


Há EMERGÊNCIAS e emergências

Duas jovens adolescentes que se tornaram personagens globais num curto espaço de tempo, com direito a dirigirem-se ao mundo no palco da ONU. Uma (Greta), nascida num dos países mais desenvolvidos do planeta, ficou conhecida por fazer greve às aulas, com o objectivo de alertar o mundo para os problemas climáticos do planeta. A outra (Malala), paquistanesa de origem humilde, ficou conhecida mundialmente depois de ter sido perseguida e baleada na cabeça, por desafiar os talibãs ao ir à escola quando tinha 15 anos. Greta tem milhões de seguidores nas escolas e universidades, nas ruas, nas redes sociais, nos jornais e televisões. Malala tem milhões de impossibilitados de a seguirem no direito a estudar por motivos políticos, religiosos ou económicos. Milhões que são forçados a trabalhar desde a infância para produzir alimentos, vestuário, "gadgets", destinados aos da mesma idade que se mobilizam para reclamarem a EMERGÊNCIA de salvar o planeta. E quem reclama a emergência de salvar aqueles? Ah, esses não chateiam nem votam ou dão votos...