Carlos Afonso

Não há Pachorra

Carlos Afonso

PALAVRAS DOCES: O AMOR EM TEMPO DE COVID

Face às barreiras levantadas às manifestações libidinosas impostas pelo distanciamento físico, o Courier International desta semana aborda como tema central o tema do amor durante a pandemia, através de boas histórias publicadas na imprensa estrangeira.
Paralelamente às histórias, e como distanciamento físico não significa afastamento social, a revista publica algumas curiosidades sobre declarações de amor, em diversas latitudes.
Embora ainda faltem dois meses para dia de S. Valentim, ficam aqui algumas ideias para mensagens de amor encriptadas, muito úteis para relações clandestinas.

Mnham, mnham...
E se de repente lhe oferecessem um pratinho de iscas (com ou sem elas) em vez de flores e xi-corações?
O coração está associado invariavelmente ao amor. Mas o amor no Irão está alojado... no fígado! Em farsi, língua maioritariamente falada no Irão, chama-se à cara-metade "jeegaram" (meu fígado). E para declarar o amor a alguém diz-se "jeegaret bokhoran", que se traduz literalmente por "Eu como-te o fígado"!!!!

Há horas felizes
"520 1314"! Se receberem uma mensagem com estes números, não se trata de um contacto telefónico nem um palpite para a lotaria. Mas para algumas pessoas pode ser a sorte grande, pois quer dizer "Amo-te para sempre"... na China. Isto porque aquele número, quando se pronuncia, tem a sonoridade muito parecida à daquela frase. Se por acaso a resposta for um "513", desiluda-se. Pelos mesmos registos sonoros, é muito semelhante à frase "Quero acabar a relação".

O respeitinho é sempre muito bonito!
Num casal de japoneses, a mulher dirige-se ao marido com "anata", o pronome pessoal "vós", e o marido responde com kimi" (tu). Mas, segundo o contexto e entoação, estes pronomes pessoais são mais igualitários e podem também significar "querido(a)"!
Ainda no Oriente, os coreanos utilizam "tchaginya" como expressão amorosa, que se traduz por pelos reforçados " meu meu" ou "minha minha".

"Amor é fogo que arde..."
Na Austrália, há um povo aborígene que inventou um termo para quando um casal se aquece de mão dadas e dedos entrelaçados, perto do fogo. A palavra é "putuwa".

"Tás surda ou quê?"
Infelizmente, como "não há bem que nunca se acabe...", no sentido inverso, isto é no do desamor, a palavra "talâq" (em árabe significa repúdio"), se repetida 3 vezes, oficializa o divórcio entre os muçulmanos, sem necessidade de muita papelada! 


Há EMERGÊNCIAS e emergências

Duas jovens adolescentes que se tornaram personagens globais num curto espaço de tempo, com direito a dirigirem-se ao mundo no palco da ONU. Uma (Greta), nascida num dos países mais desenvolvidos do planeta, ficou conhecida por fazer greve às aulas, com o objectivo de alertar o mundo para os problemas climáticos do planeta. A outra (Malala), paquistanesa de origem humilde, ficou conhecida mundialmente depois de ter sido perseguida e baleada na cabeça, por desafiar os talibãs ao ir à escola quando tinha 15 anos. Greta tem milhões de seguidores nas escolas e universidades, nas ruas, nas redes sociais, nos jornais e televisões. Malala tem milhões de impossibilitados de a seguirem no direito a estudar por motivos políticos, religiosos ou económicos. Milhões que são forçados a trabalhar desde a infância para produzir alimentos, vestuário, "gadgets", destinados aos da mesma idade que se mobilizam para reclamarem a EMERGÊNCIA de salvar o planeta. E quem reclama a emergência de salvar aqueles? Ah, esses não chateiam nem votam ou dão votos...