Uma Pequena História da Música [68]

Antonín Dvořak

Se Smetana é considerado o fundador da música clássica checa, Dvořak (1841-1904) tem a honra de ter sido o seu principal divulgador. Além disso, nenhum outro compositor soube absorver tão perfeitamente como ele os elementos folclóricos para reproduzi-los no contexto da tradição clássica.

A sua música parte de uma perspetiva nacionalista inquestionável, buscando inspiração no folclore boémio e nas suas melodias tradicionais, como em Danças Eslavas (1873), ou nas lendas tradicionais, como na sua ópera mais conhecida, Rusalka (1900). Esta autenticidade, esta ligação com o povo, diferencia-o da influência do romantismo alemão preponderante no seu tempo.

Foi um músico de grande projeção internacional que trabalhou e obteve inúmeros reconhecimentos não só em Praga, mas também na Inglaterra, Berlim, São Petersburgo, Moscovo e Estados Unidos, onde dirigiu o Conservatório de Nova Iorque. Foi durante a sua estadia nessa cidade que compôs as suas duas obras mais conhecidas, a Sinfonia n.º 9 ou Sinfonia do Novo Mundo (1893) e o Quarteto Americano.

Esta última obra possui reminiscências dos cantos espirituais negros e das melodias das plantações do sul dos Estados Unidos que Dvořak ouviu cantar em Nova Iorque por Harry T. Burleigh, um seu aluno. Curiosamente, e apesar de o autor ter feito as duas composições anteriores como uma homenagem ao continente americano, devido ao racismo imperante, as suas obras não foram bem recebidas por parte da crítica e grande parte do público, que não via com bons olhos que uma música «culta» tivesse como fonte de inspiração ritmos afro-americanos e dos nativos americanos.

As dificuldades económicas e os laços familiares levaram-no de volta a Praga em 1895, onde começou a escrever poemas sinfónicos e onde viu os seus esforços no campo da música dramática recompensados pelo sucesso da já mencionada ópera Rusalka (1901).

Começou também a lecionar no Conservatório de Praga (onde teve entre os seus alunos Josef Suk e Vítezslav Novák). Morreu na sua terra natal de congestão cerebral a 1 de maio de 1904, aos sessenta e dois anos de idade
.

Adaptado por Francisco Gil,
A partir de um texto de J.L.Iriarte

Antonín Dvořak: Sinfonia n°9 em mi menor, op. 95, “Do Novo Mundo”
Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
Fabio Mechetti, regente,
Sala Minas Gerais: 6 de abril de 2017


Uma Pequena História da Música

Índice [ veja aqui...]