Francisco Gil

Contemplações

Francisco Gil

Obelisco a Ferreira d’Almeida: Um marco de Faro com mais de um século de história.

No coração de Faro, mesmo ao lado do Jardim Manuel Bivar e da doca de recreio, ergue-se o Obelisco a Ferreira d’Almeida, um monumento que já faz parte da paisagem da cidade há mais de cem anos.

Foi inaugurado a 5 de julho de 1910. Uma das primeiras esculturas públicas do Algarve. A homenagem é dedicada ao Conselheiro José Bento Ferreira d’Almeida, natural de Faro, político e homem do mar que se destacou como ministro da Marinha e defensor de reformas sociais e educativas.

A obra é da autoria de Adolfo Haussmann, um pintor austríaco que lecionava desenho na Escola Industrial de Faro. Inspirado na tradição antiga dos obeliscos egípcios, Haussmann criou um monumento simples, mas imponente, feito de blocos de pedra calcária sobrepostos que formam uma estrutura esguia e elegante com cerca de 13 metros de altura.

O obelisco assenta numa base com três degraus e um bloco cúbico, onde se encontram inscrições em bronze que recordam a vida do homenageado: a sua data de nascimento (1847), falecimento (1902) e a inauguração do monumento (1910). Acima, destaca-se um baixo-relevo em bronze com o retrato de Ferreira d’Almeida e uma coroa de louros, símbolo de honra e mérito.

Nas restantes faces do monumento, podemos ler frases que lembram os feitos do conselheiro: a abolição de castigos físicos, a criação da Escola de Marinheiros, o desenvolvimento das vias públicas e o apoio à indústria da pesca — contribuições que marcaram a sua ação política e o progresso da época.

Quando foi construído, o obelisco dominava a paisagem farense. Hoje, rodeado por edifícios mais altos, continua a destacar-se num pequeno espaço ajardinado que o envolve, entre os dois sentidos da avenida da República, mantendo-se como um símbolo da história e da memória coletiva da cidade.

Mais do que uma escultura, este obelisco é um testemunho da gratidão dos farenses a um dos seus conterrâneos mais ilustres e um exemplo pioneiro da arte pública no Algarve.

Adolfo Haussmann, 1910.
Pedra calcária.