Contemplações
Francisco Gil
Obelisco a Ferreira d’Almeida: Um marco de Faro com mais de um século de história.
- Partilhar 30/09/2025
No coração
de Faro, mesmo ao lado do Jardim Manuel
Bivar e da doca de recreio, ergue-se o
Obelisco a Ferreira d’Almeida, um
monumento que já faz parte da paisagem
da cidade há mais de cem anos.
Foi inaugurado a 5 de julho de 1910.
Uma das primeiras esculturas públicas
do Algarve. A homenagem é dedicada ao
Conselheiro José Bento Ferreira
d’Almeida, natural de Faro, político e
homem do mar que se destacou como
ministro da Marinha e defensor de
reformas sociais e educativas.
A
obra é da autoria de Adolfo Haussmann,
um pintor austríaco que lecionava
desenho na Escola Industrial de Faro.
Inspirado na tradição antiga dos
obeliscos egípcios, Haussmann criou um
monumento simples, mas imponente, feito
de blocos de pedra calcária sobrepostos
que formam uma estrutura esguia e
elegante com cerca de 13 metros de
altura.
O obelisco assenta numa
base com três degraus e um bloco
cúbico, onde se encontram inscrições em
bronze que recordam a vida do
homenageado: a sua data de nascimento
(1847), falecimento (1902) e a
inauguração do monumento (1910). Acima,
destaca-se um baixo-relevo em bronze
com o retrato de Ferreira d’Almeida e
uma coroa de louros, símbolo de honra e
mérito.
Nas restantes faces do
monumento, podemos ler frases que
lembram os feitos do conselheiro: a
abolição de castigos físicos, a criação
da Escola de Marinheiros, o
desenvolvimento das vias públicas e o
apoio à indústria da pesca —
contribuições que marcaram a sua ação
política e o progresso da época.
Quando foi construído, o obelisco
dominava a paisagem farense. Hoje,
rodeado por edifícios mais altos,
continua a destacar-se num pequeno
espaço ajardinado que o envolve, entre
os dois sentidos da avenida da
República, mantendo-se como um símbolo
da história e da memória coletiva da
cidade.
Mais do que uma
escultura, este obelisco é um
testemunho da gratidão dos farenses a
um dos seus conterrâneos mais ilustres
e um exemplo pioneiro da arte pública
no Algarve.
Adolfo
Haussmann, 1910.
Pedra
calcária.
- Ano VII • 75 • 2025
