Victoria Sajin

Olhar Juvenil

Victoria Sajin

Encarcerados na incerteza, mas celebremos!

Hoje é dia 25 de abril, o dia conhecido como o ‘Dia da Liberdade’ ou como o dia da ‘Revolução dos Cravos’. Este foi o dia em que Portugal se libertou da ditadura e ganhou asas, o dia em que as pessoas se juntaram aos ‘capitães de Abril’ na rua para lutarem pela sua liberdade, pela sua voz. Mas não quero falar desse dia que aconteceu em 1974, mas do dia de hoje, que está a acontecer em 2020. Este era o ano das grandes mudanças, da chegada de coisas boas e de muitos acontecimentos. No entanto, acho que fomos todos enganados. Não passava tudo de uma mentira. E perguntam vocês “Enganados pelo quê ou por quem?”. A resposta é simples, a cura é que é mais difícil. Este ‘o quê’ tem o nome de Covid-19 ou Coronavírus. Ele veio fazer uma pausa nas nossas vidas. Veio interromper os nossos sonhos e os nossos projetos. Este era o ano de grande campeonatos e eventos mundiais, como a Eurovisão, de grandes concertos, teatros e exposições. Uns foram cancelados, outros foram adiados. O mesmo está a acontecer por todo o mundo. Posso dizer que estamos a viver os ‘Loucos anos 20’, mas do século XXI e com uma conotação negativa, tudo ao contrário do que era suposto ou do que seria preferível para todos nós.

E então nós, como estamos agora? Estamos encarcerados na incerteza. Sim, encarcerados como se estivéssemos dentro de jaulas, talvez agora alguns de nós sintam aquilo que os animais sentem estando presos em sítios que não são o seu habitat natural. E é triste. Sim, para nós e para eles também. E o que está cada um de nós a fazer? Temos diversos exemplos: uns estão em casa a viajar do sofá da sala para a cozinha e da cozinha para o quarto; outros também estão também em casa, mas a aproveitar o tempo livre para aprender algo de novo, para crescer; umas pessoas estão a fazer teletrabalho e muitos jovens a ter aulas a partir dos computadores. Depois temos o caso das pessoas que têm de sair de casa para ir trabalhar, e para quê? Para que todos nós possamos ter acesso aos serviços básicos e fica aqui um enorme agradecimento a todos aqueles que se arriscam todos os dias pelos outros, por nós.

Claro que este é todo o lado mais ‘sombrio’ de tudo aquilo que estamos a ultrapassar neste momento. Mas será que só devemos ver esse lado da moeda ou… talvez devêssemos avaliar o outro também? Talvez possamos ver esta ‘pausa’ como uma lição, como uma aprendizagem para a nossa consciência enquanto ser humano. Acho que esta é uma ótima oportunidade para mudarmos um bocadinho a nossa forma de pensar, aprender que não devemos tomar as coisas como certas, porque de um momento para o outro tudo pode mudar. Mas a boa notícia é que nós, enquanto pessoas, temos uma capacidade exclusiva, a de fácil adaptação ao que estamos a viver. E de facto, isto é algo que eu tenho observado através das redes sociais, das notícias e da partilha de experiências: vejo o quanto a criatividade das pessoas tem sido posta em prática e vejo mais bondade por parte daqueles que procuram ajudar o outro, seja indo às compras por aqueles que estão em maior risco, dar o seu tempo a alguém que precisa de falar, dar ‘espetáculos’ de música, dança, representação e de humor através das redes sociais, produzir máscaras em casa, entre outros. Estes são pequenos gestos, mas que ao juntar tudo num só mostra o quão solidárias as pessoas podem ser num momento de necessidade, num momento em que precisamos uns dos outros para que o ‘barco não afunde’. E digo que é maravilhoso! Eu vejo todas estas iniciativas e todas estas atitudes com orgulho, porque é isto que nós somos e é disto que nós precisamos: da ajuda de todos para que tudo fique bem. E a mensagem que eu deixo aqui é esta: “VAI FICAR TUDO BEM”! Celebremos este dia a partir das nossas casas e com o coração cheio de esperança de que vamos conseguir ultrapassar tudo isto, mais tarde ou mais cedo.

25/04/2020