Paulo Cunha

Musique-se

Paulo Cunha

Palmas para ti, António Lopes

Quem, como eu, privou com o Professor Doutor António Lopes sabe que ao vê-lo partir, ficámos privados do contacto físico com um grande homem e, sobretudo, com um homem bom. Ao deixar-nos, várias instituições de ensino a que esteve ligado constataram, de imediato, o seu empobrecimento. O “nosso” António levou com ele um enorme saber e uma alegria de viver que contagiou todos os que com ele privaram.

Sendo um homem das letras (professor universitário de língua inglesa, cultura inglesa, literatura inglesa, estudos culturais e estudos literários), desde o primeiro dia colocou ao dispor do Conservatório de Música de Olhão (CMO) toda a sua musicalidade, criatividade, sabedoria, disponibilidade e bondade. Pai atento, colaborante e participativo, foi um exemplo a seguir para todos os que acreditam na realização dos sonhos através do empenho, do trabalho, da dedicação e da perseverança.

Com um sorriso nos lábios, os seus olhos cintilavam quando, disponibilizando-se para acompanhar os alunos do CMO, colocava as mãos no piano e mostrava ao mundo que a música era também o seu mundo. Sempre disponível para o que fosse necessário, desde cedo, constituiu-se como uma peça-chave na engrenagem que faz mover uma escola de música.

Sempre com um enorme desejo de aprender, aceitou o desafio que o Conservatório lhe lançou para que abraçasse a aprendizagem de um instrumento à medida da sua grandeza – o contrabaixo. E em pouco tempo foi possível vê-lo a tocar, dedicado e seguro, com a orquestra de cordas do CMO, tendo sido um exemplo para todos, principalmente para os mais novos.

É sabido que a grandiosidade de poucos toca e é estrela-guia para muitos. Foi e continuará a ser o caso do amigo de sempre (e para sempre) António Lopes. Todos nós, elementos que constituem o Conservatório de Música de Olhão, teremos por ele uma eterna dívida de gratidão. De pé e efusivamente, prestar-lhe-emos, sempre, a devida e merecida homenagem.

Palmas, muitas palmas para ti, António. Mereceste-as em vida e continuarás a merecê-las onde quer que estejas!

* António Lopes, natural de Faro, foi professor da Universidade do Algarve. Faleceu no dia 14 de dezembro de 2019, aos 52 anos, vítima de doença.