José Maria de Oliveira

Letras e Traços

José Maria de Oliveira

“VIROSES DE A-LETRIA”

A excessiva tolerância das democracias modernas veio expor à praça pública, de forma impressionantemente dramática, através da chamada comunicação social, as idiossincrasias mais vulneráveis dos cidadãos, que, apesar de deixarem aos tribunais, se necessário, a contestação das mesmas, quando para tal são instados, o certo é que cada vez mais expostos e esventrados os nossos comportamentos menos convencionais... arrastando, se “necessário”, famílias inteiras para a valeta sem o mínimo decoro, pudor e respeito pela dignidade da pessoa humana. A vida dos cidadãos, aqueles que mexem, está cada vez mais a saque, a começar pelos protagonistas da coisa pública…

Tudo isto deu já origem a uma epidémica psicose comportamental a que não é alheio um certo reacionarismo larvar, mal pensante e endógeno (de raiz judaico-cristã) onde a inveja é a “dama de espadas” de um certo tipo de imprensa, bem instalada, de sicários com craveira moral e profissional medíocre e devotada a escândalos fáceis de leitura tipo “cigana de sinas”, ou o “grande e horrível crime” dos folhetos de feira do antigamente.

Os orgãos de comunicação social, de vocação antropofágica, que se servem da intimidade dos cidadãos como fonte de sustento, prestam assim, conscientemente, um “óptimo serviço” aos sectores mais reacionários da nossa sociedade, por mais que se tentem decorar com ornamentos “intelectuais”, crónicas progressistas, falem elas em nome de quem falarem! Mal dos “média” que tem de estar sempre a “mexer nas fezes” ou na “libido” dos outros para comprarem e alimentarem as suas clientelas e fabricar assim os seus salários de miséria. Tudo Isto, temperado com um certo “jesuitismo” e não deixa de ser mais uma forma de prostituição, da má prostituição...

Concluindo; o “politicamente correto” institui-se e instalou-se, na sociedade “bem-pensante” de hoje, como forma de armadura caracterial, a partir da qual o branqueamento da existência, a liofilização da inteligência, o amesquinhamento do “corpo” e a construção de “consciências de cristal”, são um facto consumado!

Nem a Inquisição, no seu auge, faria melhor!

Não falta muito tempo para que, a “nossa” classe política tenha de usar “lavandas” ecológicas, cuecas biodegradáveis, fatos recicláveis, sapatos sintéticos, luvas e máscaras, falar português vernáculo ser perito em virologia e nada de preservativos, a não ser, está claro, a pele que Deus nos deu, (o biologicamente correcto)!!!

O resultado final, disto tudo, é que nos arriscamos a ter cada vez mais, com a nossa conivência, (fabricados por nós), dirigentes insípidos, castrados, recalcados, manhosos, corruptos, incompetentes e parasitas do voto fácil.

É preciso saber dizer não à má imprensa e pô-la no seu devido lugar! E ninguém melhor o pode fazer que os cidadãos, recusando-se e comprar pasquins. Ou os temos no sítio… ou estamos “quilhados”!

Tal como a cebola ou o alho-francês, revestimo-nos de sucessivos invólucros de perfeccionismo q.b., mascarando a nossa pseudocompetência, de ontem e hoje, para não nos expormos ao (mau) juízo público e concomitantemente assim, sentimo-nos não só protegidos, mas mais capazes de atacar nos outros as nossas próprias “fraquezas” recalcadas!

A “liberdade de imprensa” trouxe, ao de cima, este velho hábito do “cortar na casaca” (os fatos dos outros só são bons quando nos podem servir) e, se alguém tem o azar de subir na vida, só pode tê-lo feito: atropelando tudo e todos, com grandes padrinhos, (se é mulher deve ter certamente “passado por baixo” de muitos “chefes”) e quando se tem muito dinheiro: só pode ter sido roubado!!! É dos livros!

A malta gosta de escândalos e a má imprensa dá dinheiro! Quantos “triliões” não se faturaram à conta das “quecas” dos famosos – a maior parte artificialmente criados…

A intolerância, o ódio, o vazio, a militarização da vida civil, (onde prosperam os fundamentalismos mais exacerbados), a banalidade, o desamor, a raiva, o ódio e a solidão são alguns dos filhos bastardos da nossa viver de hoje!

Aproveitemos a PANDEMIA para refletir, para quando as portas do social e os abraços se abrirem de novo, estarmos mais precavidos contra aquilo que de mau fomos abrigados a mascar e mascarar…

Esta forma de canibalismo e de “roer em seco” o osso do alheio, vem de longe, de muito longe, (é tribal) e finalizamos parafraseando o velho profeta:

– “Se aparecer alguém a dizer que em Sodoma e Gomorra há dois justos, o mal dos céus não cairá sobre as nossas cabeças...” e o resultado está à vista: as estátuas de sal de ontem cristalizaram no acrílico de hoje, enquanto a louça das caldas está cada vez mais em baixa nas cotações do bolso! Ou será da bolsa!?

Resguardem-se e perdoem-me este desabafo virulento. q.b.