Fernando Vieira

à Deriva

Fernando Vieira

Vacinação inspiradora

São vários os dilemas e inúmeros os desafios que 2021 traz, qual deles o mais determinante para – pelo menos – nos mantermos à tona, (sobre)vivendo o melhor possível. 

Um deles, seguramente, tem relação direta com o flagelo pandémico que virou a nossa vida do avesso no ano findo: deveremos, ou não, tomar a vacina preventiva contra a Covid-19, qualquer uma que seja? 

Durante os primeiros meses de convívio com esta terrível realidade e seus dramáticos resultados, todo o mundo ansiava pela criação de um antídoto, de alguma panaceia, capaz de travar tão nefastos efeitos. 

Num caso nunca visto de união de esforços, públicos e privados, eis que começam a surgir vacinas e mais vacinas, testadas com resultados promissores, e o mundo respira de alívio. Afinal, há uma cura e essa cura fica disponível em tempo ‘record’. 

Contudo, assim como os indicadores de esperança dispararam nos últimos meses de 2020, também dispararam as dúvidas e incertezas quanto à real eficácia das propostas apresentadas por alguns dos mais conceituados laboratórios. 

Num ápice, o tema fraturante de conversa deixou de ser a eventualidade de uma solução para tão grave problema, mas se essa solução dá reais garantias de fiabilidade e segurança. 

Um dos principais argumentos utilizados pelos céticos tem a ver com a rapidez como todo o processo decorreu, após a descoberta do novo coronavírus. 

Antes, em circunstâncias normais, passavam-se vários anos até que as vacinas contra diversas doenças se revelassem efetivas e eficazes. Por isso, quando os cientistas começaram a trabalhar numa vacina para o SARS-CoV-2, ninguém arriscou datas, pois toda a gente tinha noção da morosidade do processo. 

Certo é que, menos de um ano depois, já foram vacinados milhares em todo o mundo e essa onda parece irreversível, por muitas novas estirpes que possam surgir. 

Portanto, e se alguma coisa de positivo se pode extrair deste fenómeno epidemiológico, independentemente do modo como o mesmo será ultrapassado, mais cedo ou mais tarde, é o ‘lobby’ positivo que criou, à escala global. 

De facto, e sem pretender influenciar o vosso soberano poder de decisão na “toma da pica”, porque não é isso que está aqui em causa, cumpre-me salientar um aspeto que considero exemplar: nunca, em nenhuma circunstância da História, houve uma união a este nível por parte dos seres-humanos na busca de uma solução comum, que a todos beneficie. 

Ora, numa terra que se caracteriza pela forma desgarrada como sempre lidou com os seus problemas (e estou falando do Algarve…) não representará todo este processo um paradigma inspirador, à escala regional, para todas as áreas da nossa sociedade, tão carenciada de sinergias?