Fernando Vieira

à Deriva

Fernando Vieira

Todos por um

Com o regresso da nossa vida à normalidade possível, muitos já perceberam que as coisas não vão ser como eram, por variados motivos que não vale a pena referir, de tão escalpelizados vêm sendo pelos especialistas de ocasião.

Em particular no que toca à monocultura do turismo, os responsáveis do setor e o tecido empresarial terão que se adaptar profundamente, repensando estratégias para minimizar prejuízos e, à luz da nova realidade, rentabilizar o potencial regional que – no fim de contas – não se perdeu nem um pouco e continua por aí.

Quero, contudo, abordar outra vertente, porventura menos focada, mas que para mim representa, talvez, um dos mais enriquecedores legados desta crise social que – ainda – estamos a viver.

O meu realce vai, então, para a forma ágil e acertada como as entidades regionais, nomeadamente o poder autárquico e as estruturas de saúde, proteção civil e segurança pública, enfrentaram a questão em tão curto espaço de tempo, antecipando as melhores respostas para os piores cenários.

Não tenhamos dúvidas que as medidas tomadas nos primeiros dias foram determinantes para o evoluir favorável do problema.

Em complemento, quero também enaltecer o comportamento dos algarvios, que perceberam o que estava em causa e assumiram os sacrifícios pedidos, em prol do bem comum. Cidadãos, empresários, movimento associativo, toda a gente demonstrou um imprescindível sentido de responsabilidade, enquanto o voluntariado assumiu um papel relevante, em diversas áreas consideradas fulcrais.

Todo esse comportamento contribuiu para que o malfadado vírus não se propagasse descontroladamente na comunidade.

Sobre a mudança de comportamentos que, fatalmente, se verificará, é natural que assistamos nos próximos tempos a um esfriamento nos relacionamentos e a um distanciamento interpares.

Mas creio que essa postura mudará gradualmente e, quando tudo isto não passar de ténues memórias, voltará ao de cima a nossa costela latina, pois a entreajuda, que nos une muito para além de todas e quaisquer diferenças, essa, estará sempre presente.

Faz parte do nosso ADN.

6-05-2020

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