Fernando Correia

Crónica

Fernando Correia

O DIA DA MULHER

As Nações Unidas promoveram, em 1975, o Ano Internacional da Mulher e, em 1977, proclamaram o dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.

Porquê?...

Porque se percebeu que, em todo o Mundo, a mulher continuava a ser vítima de uma discriminação indiferenciada, sempre com o sentido e a finalidade de ser subjugada pelo homem.

Podemos dizer que é verdadeiramente espantoso que esta subalternidade, verificada em vários sectores da vida de todos os dias, obrigue a que celebremos as nossa mães, as nossas irmãs, as nossa filhas, as nossas amigas, as nossas companheiras, uma vez por ano, sem cuidarmos de saber e aprofundar a razão de ser desta subalternidade, desta angústia, deste drama social que leva à violência doméstica, às diferenças salariais relativamente aos homens, à escassez de cargos públicos reservados às mulheres (uma espécie de dádiva), ao trabalho caseiro, às limpezas, às perseguições sexuais, ao acompanhamento dos filhos (como se eles não tivessem pais) e aos trabalhos inferiores que são reservados para elas, ainda de Sol a Sol, ainda exploradas, ainda como reserva de favores ao “macho”, ainda como Seres comandados e orientados.

Isto é absolutamente inacreditável, mas verdadeiro e, por isso, regredimos no tempo até 1857 nos EUA; a 1911 no mesmo país; ou a 1917 na Rússia, para concedermos à mulher o direito à emancipação e à igualdade, tão exploradas eram naquele tempo, tão exploradas são agora. Em vários países, a diferença de tratamento e de oportunidades entre o homem e a mulher continuam a ser notórias e angustiantes.

Neste dia 8 de Março de 2021 aqui estamos, de sorriso nos lábios e flores na mão, a dizermos às mulheres portuguesas que lhes pedimos desculpa pela atitude doentia de todos os outros dias do ano.

Basta!

É hora de acordar.

E, se não cansar muito, de pensar nos valores humanos, na igualdade social, no equilíbrio genético, na importância das mulheres e dos homens na comunidade da paz, do bom senso, da consciência e da construção.

Fazemos parte da mesma vida, do mesmo espaço, do mesmo mundo, respiramos o mesmo ar, sofremos as mesmas dores.

Sejamos suficientemente honestos e capazes de contribuir para a inversão desta situação.

Se não houver razão mais poderosa (e há) que o façamos pelas nossas Mães.

Os beijos, as flores, a paz, a consideração, o carinho, o amor, tudo isto é para nos darmos mutuamente (homens e mulheres) durante todos os dias do ano. 

FERNANDO CORREIA
(Jornalista)