Fernando Correia

Crónica

Fernando Correia

CHEGA OU É DEMAIS

Não gosto muito da via política para me debruçar sobre o que está mal e podia estar bem, nem sobre o que estando bem podia estar melhor.

Também não sei se os Partidos Políticos resolvem todos os problemas das pessoas e se contribuem, sem equívocos nem bandeiras artificiais, para que os cidadãos tenham uma vida melhor.

O que sei é que os seus membros são, de uma forma geral, demagogos e que todos afinam pelo mesmo diapasão, ou seja, se não estás do meu lado é porque estás contra mim!

E, a verdade é que muitas vezes não é assim e uma diferença de opinião pode não querer dizer que estejamos em polos opostos.

Reconhecendo o direito à liberdade de opinião e ao voto, não entendi muito bem a argumentação de alguns Partidos que votaram contra o Orçamento de Estado na generalidade. E não entendi por debilidade argumentativa; porque determinada esquerda especulativa votou ao lado de uma direita conservadora e oposicionista por tradição; e porque não se tinha discutido, ainda o orçamento na especialidade que é a discussão que, na verdade, interessa.

Ou seja: o voto contra é um voto às escuras, é um voto cego, é um voto “porque sim”.

E, sendo assim, não é sério.

Também li uma entrevista do único Deputado do “Chega” na AR, em que, por entre muitas afirmações de enorme gratuitidade e de sentido claramente agitador, afirma ser contra algumas posições assumidas pelo Papa Francisco, porque as considera anti – cristãs e, com jeitinho, anti – clericais.

Não sei se por apoiar o casamento civil entre homossexuais; não sei se por condenar a pedofilia de uma maneira geral e, nomeadamente, na Igreja Católica; não sei se por estar contra as desigualdades sociais; não sei se por ser contra as guerras; não sei se por admitir o casamento dos sacerdotes em determinadas condições; não sei se por ser contra a ostentação, o luxo e a riqueza na Igreja; não sei se por dar mais força ao espírito do que à religião, sem negar a importância da oração.

Não sei.

O que sei é que para mim já é demais!