Fernando Correia

Crónica

Fernando Correia

UM AVISO SÉRIO

Estamos a assistir a uma espécie de revolta da natureza contra todos aqueles que tanto mal lhe têm feito.
Essa revolta surgiu através da propagação de um vírus, um pequeno elemento proteico, proveniente de animais selvagens vendidos num mercado público da China e que infectou o Ser Humano, de forma violenta, pela sua facilidade de propagação (daí a pandemia) embora de efeitos individuais pouco violentos.
Ou seja: a pandemia é perigosa por esse facto, por ser mundial, e por atingir pessoas de débil sistema imunitário ou com doenças respiratórias agudas.
Quando se diz que é uma revolta da natureza é preciso entender que se trata de uma figura de retórica, mas de significado abrangente, que obriga a pensamentos de uma outra ordem, talvez mais visíveis nos planos mental, astral, universal e metafísico, percebendo – se que o Homem resolveu, por sua própria iniciativa, adulterar a forma e o conteúdo da matéria a seu belo prazer, entrando em conflito directo com o planeta, com a sua formação original, o seu conteúdo, a sua génese e a sua fórmula de vida.
As guerras, os químicos, o aquecimento global, a poluição desenfreada, as constantes experiências atómicas, as armas nucleares, etc. não podem continuar a existir, não é viável, o planeta não suporta.
As transformações sucessivas operadas na Terra são um aviso muito sério, mas até agora ignorado.
Por isso se usa a linguagem simbólica da revolta da natureza.
Para perceber isto basta pensar que, após uns dias (no máximo um ou dois meses, conforme os países e a proliferação pandémica) já há peixes nos canais de Veneza que estavam fortemente poluídos; já se respira em cidades onde a atmosfera era irrespirável; os níveis de dióxido de carbono na atmosfera baixaram consideravelmente;  o aquecimento global, provocado pelo efeito estufa no planeta, desce progressivamente para níveis aceitáveis; a chuva regressa aos valores normais; as temperaturas voltam, a pouco e pouco, a definir as estações do ano; os animais começam a ter condições naturais de sobrevivência; e o Ser Humano obriga – se a alterar os seus hábitos de vida.
Este será o aspecto fundamental da pandemia denominada “covid 19”: nada será como dantes!
O Ser Humano vai alterar a sua forma de viver e o dinheiro, se continuar a existir, terá um outro valor qualquer, provavelmente muito mais racional e lógico.
O egoísmo também baixará significativamente, porque é o único caminho para o entendimento da egrégora da vida.
A noção de fraternidade terá de ser, necessariamente, ampliada, para que o Homem veja, de uma vez por todas, que não pode viver sozinho, sem se preocupar com os outros que lhe estão próximos.
A família voltará a ter um papel definitivo na construção da sociedade.
A vida no campo, incluindo o justo e correcto aproveitamento das terras, deve passar a ser uma constante, porque a desertificação do interior transmitiu, como se sabe, uma falsa imagem de desenvolvimento individual e colectivo.
Os políticos, apologistas de acções ditatoriais ou autocráticas, estão no fim do seu caminho e jamais poderão voltar a usar a ignorância do povo em seu proveito.
A tarefa das nações será prioritariamente a de educar, instruir e formar a sua gente.
O caminho para uma sociedade global está à vista.
Os Templos devem abrir portas aos fiéis desde que sejam, eles próprios, fiéis ao ideário que os criou.
Os valores humanos têm de estar acima dos interesses pessoais.
A religião está dentro de cada individuo e desde que se proceda de acordo com os ensinamentos da criação, os guias espirituais terão o caminho aplanado.
Se Deus (seja ele qual for e o que for) se deve traduzir no Universo Criador da Humanidade, então, a humanidade terá de dar abrigo, dentro de si, ao Deus que a criou.
O aproveitamento dos recursos de cada País é sempre uma dádiva da natureza e terá de ser equitativo.
A lista é imensa e a sua grandeza depende de cada um de nós e daquilo que quisermos para o futuro da humanidade.
Mas estamos na hora certa.
Não é possível esperar mais.
A natureza avisou.
Basta cumprir.

FERNANDO CORREIA